Incêndio destrói estátua da Feiticeira em São Vicente; polícia apura vandalismo
Marco cultural e paisagístico erguido na orla da Praia do Itararé foi completamente consumido pelo fogo no final da tarde de quarta-feira. Episódio mobiliza autoridades policiais na identificação dos autores e reacende debates sobre segurança patrimonial e a vulnerabilidade de monumentos costeiros no litoral paulista.
A estátua da Pedra da Feiticeira, um dos referenciais visuais e folclóricos consolidados na Praia do Itararé, em São Vicente, no litoral sul paulista, foi completamente calcinada por um incêndio no final da tarde de quarta-feira, 30 de setembro. As chamas tiveram início por volta das 17h50 e, alimentadas pela composição altamente inflamável de fibra de vidro e resina, consumiram os cerca de 3,5 metros da estrutura em menos de dez minutos. O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar deslocou oito homens e três viaturas operacionais até o local rochoso, logrando conter o alastramento para a vegetação circundante, embora o monumento tenha sofrido perda integral.
O caso foi formalmente registrado no 1º Distrito Policial de São Vicente sob as tipificações penais de dano qualificado e incêndio provocado, com incidência direta sobre a legislação de proteção ao patrimônio público. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e o Centro Integrado de Operações e Monitoramento da Guarda Civil Municipal iniciaram a triagem minuciosa das imagens captadas pelas câmeras de segurança instaladas ao longo da Avenida Prefeito José Monteiro e da orla da Avenida Ayrton Senna. Peritos da Polícia Técnico-Científica examinaram o platô de pedra para colher vestígios de combustíveis ou acelerantes químicos que confirmem a dinâmica do crime.
“Trata-se de um ato inaceitável de vandalismo que agride diretamente a memória histórica e o patrimônio da primeira cidade do Brasil. Requisitamos a mobilização máxima do monitoramento para identificar e responsabilizar exemplarmente os criminosos, ao mesmo tempo em que a prefeitura já planeja a reconstituição da obra em material ignífugo e antivandalismo.”
Resgate Folclórico e a Distorção Iconográfica
Instalada sobre a formação rochosa da “Cama da Velha” no ano de 2010, a obra foi modelada pelo renomado artista plástico sergipano radicado em Santos Francisco Telles (1942–2016). Diferente de hipóteses apócrifas que circularam em plataformas digitais após o sinistro, a escultura nunca representou uma deidade litúrgica, orixá ou entidade de culto místico organizado. O monumento prestava tributo a uma tradicional narrativa caiçara do século XIX, que descreve uma mulher que mantinha fogueiras acesas sobre as pedras marítimas à espera inabalável do retorno de seu amado, um marinheiro português tragado pelas tempestades do Atlântico.
Apesar da natureza puramente lírica e folclórica da lenda, a denominação popular de “feiticeira” e a sua silhueta exposta em espaço aberto tornaram-se alvos crônicos de estigmatização sectária. Especialistas em patrimônio cultural e sociologia urbana observam que a palavra e seus arquétipos vêm sofrendo um processo recorrente de demonização por correntes intolerantes, fenômeno que no Brasil culmina com frequência na destruição física de monumentos e marcos sacros ou folclóricos. Embora o inquérito policial mantenha o sigilo técnico sobre a autoria e ainda não impute motivação ideológica confessional ao incêndio, a fragilidade de monumentos públicos frente ao obscurantismo e à hostilidade ideológica permanece sob o foco de entidades civis e juristas.
Rigor Pericial e Medidas de Reconstituição
A linha investigativa da Polícia Civil concentra esforços no cruzamento da rota de fuga dos possíveis executores com o perímetro iluminado da ciclovia e dos quiosques litorâneos. Relatórios preliminares descartam pane em sistemas elétricos ou autocombustão pela ausência de fiação ou materiais catalisadores naturais na laje de pedra, reforçando o caráter premeditado e doloso da ação criminosa.
Por parte do Poder Executivo vicentino, os setores técnicos de Engenharia e Cultura já elaboram as diretrizes para a nova modelagem da Feiticeira. A orientação preliminar prevê a substituição definitiva da fibra de vidro original por ligas metálicas tratadas com banho anticorrosivo ou concreto armado de alta densidade revestido por verniz antichama, blindando a memória local contra novas tentativas de depredação e garantindo a devolução de um dos pontos mais emblemáticos da paisagem de São Vicente.
Acompanhamento Editorial: A redação do Maçom Tá On monitora continuamente os desdobramentos operacionais, econômicos e judiciais deste caso, mantendo cobertura permanente para seus leitores.

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