Raquel Lyra mantém neutralidade no segundo turno e evita declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro
Governadora reeleita de Pernambuco afirma que foi procurada pelas duas campanhas e diz que manterá a postura adotada desde 2022
Recife — A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A posição foi reafirmada pela governadora nesta quarta-feira (7), após ela confirmar que foi procurada pelas duas campanhas. Raquel afirmou que pretende preservar a postura de independência que adotou durante a campanha estadual e concentrar sua atuação nos interesses de Pernambuco.
A governadora foi reeleita no primeiro turno das eleições para o Governo de Pernambuco. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Raquel recebeu 2.805.438 votos, equivalentes a 53,27% dos votos válidos, com 100% das urnas apuradas.
Uma decisão que ganha peso nacional
A posição de Raquel Lyra tem relevância no cenário político nacional porque ela pertence ao PSD, uma das principais legendas do centro político brasileiro.
O partido decidiu manter neutralidade na eleição presidencial, mas liberou suas lideranças para dialogar e manifestar apoio individualmente. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teria sinalizado ao PT que as lideranças regionais poderiam ser procuradas durante as articulações do segundo turno.
Com Lula e Flávio Bolsonaro disputando a Presidência, governadores e outras lideranças do centro passaram a ser alvo de novas negociações.
Nesse contexto, o posicionamento de Raquel ganha importância não apenas pelo peso político de Pernambuco, mas também pela possibilidade de influenciar outras lideranças do PSD.
Relação com Lula não significa apoio eleitoral
A relação entre Raquel Lyra e o presidente Lula passou por diferentes momentos ao longo do primeiro mandato da governadora.
Durante a campanha, Raquel reconheceu publicamente a parceria administrativa entre os governos federal e estadual, mas evitou declarar apoio a um candidato à Presidência.
A governadora também havia defendido que a disputa nacional não interferisse na eleição pernambucana. Lula, entretanto, declarou apoio ao então adversário de Raquel, João Campos (PSB), e participou de ato de campanha no estado na reta final do primeiro turno.
Apesar disso, Raquel deixou claro que reconhecer ações realizadas em parceria com o governo federal não significa necessariamente declarar apoio eleitoral.
Governadora diz que prioridade é Pernambuco
Ao justificar sua posição, Raquel Lyra afirmou que pretende manter a coerência de sua atuação política e evitar que Pernambuco seja dividido pela disputa presidencial.
A governadora declarou que sua prioridade, neste momento, é continuar governando o estado e trabalhar pelos interesses dos pernambucanos.
A postura também preserva sua capacidade de diálogo com diferentes setores políticos, em um momento em que o segundo turno exige novas alianças e negociações.
Segundo turno terá disputa por apoios
A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
Com uma diferença relativamente estreita entre os dois candidatos, a busca por apoios políticos ganhou ainda mais importância.
A campanha de Lula já iniciou conversas com lideranças do PSD e de outros partidos de centro. Segundo o presidente do PT, Edinho Silva, Kassab manteve a posição oficial de neutralidade do PSD, mas autorizou o diálogo com lideranças regionais da legenda.
Raquel Lyra, entretanto, optou por não aderir a nenhum dos dois candidatos.
A estratégia de Raquel
A decisão permite à governadora preservar uma posição de independência diante de um eleitorado politicamente diversificado.
Durante a eleição estadual, Raquel construiu uma campanha que procurou evitar uma identificação exclusiva com um dos polos da polarização nacional. Essa estratégia contribuiu para sua vitória no primeiro turno, quando recebeu mais de 53% dos votos válidos.
Agora, ao manter a neutralidade também no segundo turno presidencial, Raquel sinaliza que pretende continuar priorizando sua agenda estadual em vez de assumir um lado na disputa nacional.
A decisão também coloca a governadora em uma posição singular dentro do PSD: ao mesmo tempo em que mantém diálogo com o governo federal, preserva sua autonomia política e evita comprometer-se formalmente com qualquer um dos candidatos à Presidência.
Por enquanto, portanto, Raquel Lyra não estará no palanque de Lula nem no de Flávio Bolsonaro. A governadora escolheu permanecer neutra e concentrar sua atuação em Pernambuco.
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