5 de outubro de 2026

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro e Lula disputam o Planalto no segundo turno; urnas consolidam maioria de direita e centro-direita no Congresso

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Com 100% das seções eleitorais totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral na madrugada desta segunda-feira, 5 de outubro, a corrida pela Presidência da República ruma ao segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um escrutínio marcado pela vitória das legendas de direita e centro-direita na renovação do Legislativo federal.

O encerramento oficial da apuração do primeiro turno das eleições gerais de 2026 definiu o novo cenário político no Brasil. Sem que nenhum concorrente atingisse a maioria absoluta dos votos válidos exigida pelo artigo 77 da Constituição Federal, o Tribunal Superior Eleitoral homologou a disputa em segundo turno, agendada para 25 de outubro. O candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, terminou a rodada na dianteira, concentrando 56.126.790 votos (47,03% dos válidos), enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, postulante à reeleição pela Federação Brasil da Esperança, avançou ao somar 53.894.482 sufrágios (45,16% dos válidos).

O resultado confirma a polarização no cenário político brasileiro e impõe às duas chapas um esforço imediato de negociação política nas próximas três semanas. As candidaturas intermediárias não conseguiram ultrapassar a barreira dos dois líderes: o escritor Augusto Cury (Avante) alcançou 2,89% dos votos válidos, seguido por Renan dos Santos (Missão), com 2,24%, e pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pontuou com 0,27%, enquanto as demais siglas e legendas menores somaram juntas 0,23% dos votos válidos. Votos brancos e nulos superaram a marca acumulada de 5,9 milhões de registros.

Candidato Presidencial Legenda / Federação Total de Votos Percentual Válido
Flávio Nantes Bolsonaro Partido Liberal (PL) 56.126.790 47,03%
Luiz Inácio Lula da Silva PT (FE Brasil) 53.894.482 45,16%
Augusto Cury Avante 3.454.437 2,89%
Renan dos Santos Missão 2.673.805 2,24%
Ronaldo Caiado PSD 2.607.728 2,18%
Romeu Zema Partido Novo 326.685 0,27%
Outros Concorrentes Diversos 271.868 0,23%

Renovação do Senado: PL elege maior bancada

Enquanto o comando do Poder Executivo permanece submetido ao veredito de segundo turno, a composição do Poder Legislativo já está integralmente consolidada e representa a maior mudança estrutural deste pleito. A renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado Federal outorgou ao Partido Liberal uma posição de destaque: a legenda elegeu 19 novos senadores em diferentes estados, formando um bloco que terá influência nas deliberações da Casa Alta a partir de fevereiro de 2027.

Agremiações de centro e de oposição moderada conseguiram assegurar posições relevantes na distribuição, com o Movimento Democrático Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores conquistando 6 assentos cada, ao passo que Novo, Progressistas, Partido Socialista Brasileiro e União Brasil elegeram 3 representantes cada um. Essa nova configuração impõe limites a medidas do Executivo e coloca a pauta institucional — incluindo sabatinas a tribunais superiores, embaixadas e a fiscalização de atos do Executivo e do Judiciário — sob influência de uma maioria de partidos de direita e centro-direita.

Lista oficial dos 54 senadores eleitos em 2026

Dados oficiais do TSE, apuração consolidada em 4 de outubro de 2026. Mandato: 2027-2035. Fontes: G1 Eleições 2026 e Agência Brasil.

  • Acre (AC): Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
  • Alagoas (AL): Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
  • Amapá (AP): Rayssa Furlan (PODE) e Lucas Barreto (PSD)
  • Amazonas (AM): Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB)
  • Bahia (BA): Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
  • Ceará (CE): Cid Gomes (PSB) e Luizianne (Rede)
  • Distrito Federal (DF): Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
  • Espírito Santo (ES): Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos)
  • Goiás (GO): Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União)
  • Maranhão (MA): Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
  • Mato Grosso (MT): Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL)
  • Mato Grosso do Sul (MS): Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
  • Minas Gerais (MG): Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT)
  • Pará (PA): Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União)
  • Paraíba (PB): João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB)
  • Paraná (PR): Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo)
  • Pernambuco (PE): Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
  • Piauí (PI): Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD)
  • Rio de Janeiro (RJ): Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
  • Rio Grande do Norte (RN): Styvenson Valentim (PODE) e Samanda de Lula (PT)
  • Rio Grande do Sul (RS): Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo)
  • Rondônia (RO): Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
  • Roraima (RR): Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB)
  • Santa Catarina (SC): Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
  • São Paulo (SP): Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
  • Sergipe (SE): Rogério Carvalho (PT) e Delegado Alessandro (MDB)
  • Tocantins (TO): Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB)

Nota: O Senado Federal tem 81 cadeiras no total. Destas, 54 foram renovadas em 2026 (listadas acima, com mandato até 2035) e 27 permanecem com senadores eleitos em 2022 (mandato até 2031). O PL terá 28 cadeiras no total (19 eleitas em 2026 + 9 que já estavam no cargo).

Parecer de Análise Institucional
A soberania popular manifestada nas urnas estabelece uma arquitetura parlamentar de contrapesos. A governabilidade nos próximos quatro anos exigirá observância do princípio de independência e harmonia entre os poderes da República, cabendo ao futuro titular do Palácio do Planalto construir pontes pragmáticas sob pena de paralisia decisória.

Governadores: 20 estados elegem no primeiro turno; 6 estados e DF vão ao segundo turno

As eleições para governador de 2026 estabeleceram um recorde histórico: 20 dos 27 unidades da federação definiram seus governantes ainda no primeiro turno, superando a marca de 2022, quando 15 estados elegeram governadores na primeira rodada.∆

Governadores eleitos no primeiro turno (20 estados)

Tomam posse em 1º de janeiro de 2027. Dados oficiais do TSE. 

  • Alagoas (AL): JHC (PSDB)
  • Amapá (AP): Dr. Furlan (PSD)
  • Bahia (BA): Jerônimo Rodrigues (PT) — reeleito
  • Ceará (CE): Elmano de Freitas (PT) — reeleito
  • Goiás (GO): Daniel Vilela (MDB) — reeleito
  • Maranhão (MA): Eduardo Braide (PSD)
  • Mato Grosso (MT): Otaviano Pivetta (Republicanos) — reeleito
  • Mato Grosso do Sul (MS): Eduardo Riedel (PP) — reeleito
  • Minas Gerais (MG): Cleitinho Azevedo (Republicanos)
  • Pará (PA): Dr. Daniel (Podemos)
  • Paraíba (PB): Lucas Ribeiro (PP) — reeleito
  • Paraná (PR): Sergio Moro (PL)
  • Pernambuco (PE): Raquel Lyra (PSD) — reeleita
  • Piauí (PI): Rafael Fonteles (PT) — reeleito
  • Rio Grande do Sul (RS): Luciano Zucco (PL)
  • Rondônia (RO): Marcos Rogério (PL)
  • Roraima (RR): Arthur Henrique (PL)
  • Santa Catarina (SC): Jorginho Mello (PL) — reeleito
  • São Paulo (SP): Tarcísio de Freitas (Republicanos) — reeleito
  • Sergipe (SE): Fábio Mitidieri (PSD) — reeleito

Partidos que mais elegeram: PL (4), PSD (4), Republicanos (3), PT (3).

Estados com segundo turno para governador (6 estados + DF)

Disputa em 25 de outubro de 2026. Dados oficiais do TSE.

  • Acre (AC): Mailza Assis (PP) 49,76% vs Alan Rick (Republicanos) 32,27%
  • Amazonas (AM): Omar Aziz (PSD) 40,38% vs Professora Maria do Carmo (PL) 24,72%
  • Distrito Federal (DF): Celina Leão (PP) 49,93% vs Leandro Grass (PT) 34,48%
  • Espírito Santo (ES): Lorenzo Pazolini (Republicanos) 49,65% vs Ricardo Ferraço (MDB) 34,06%
  • Rio de Janeiro (RJ): Douglas Ruas (PL) 49,27% vs Eduardo Paes (PSD) 42,76%
  • Rio Grande do Norte (RN): Allyson (União) 36,83% vs Cadu de Lula (PT) 36,21%
  • Tocantins (TO): Professora Dorinha (União) 45,52% vs Vicentinho Júnior (PSDB) 43,94%

Nota: Em 6 estados e no DF, nenhum candidato atingiu mais de 50% dos votos válidos, exigindo segundo turno em 25 de outubro.

O PL e o PSD emergiram como os partidos que mais elegeram governadores no primeiro turno, com 4 vitórias cada, seguidos por Republicanos (3) e PT (3).

Dos 20 governadores eleitos, 11 foram reeleitos: Jerônimo Rodrigues (BA), Elmano de Freitas (CE), Daniel Vilela (GO), Otaviano Pivetta (MT), Eduardo Riedel (MS), Lucas Ribeiro (PB), Raquel Lyra (PE), Rafael Fonteles (PI), Jorginho Mello (SC), Tarcísio de Freitas (SP) e Fábio Mitidieri (SE).

Câmara dos Deputados: PL lidera composição

Na Câmara dos Deputados, a apuração proporcional das 513 vagas ratificou o predomínio das bancadas de perfil conservador e reformista. O Partido Liberal lidera a composição com 79 deputados eleitos diretamente e vantagem em dezenas de quocientes pendentes de distribuição final, estabelecendo a maior bancada partidária individual do Parlamento, segundo dados do TSE.

Partidos de centro pragmático, notadamente PSD, Republicanos e MDB, reafirmam sua condição de fiadores de governabilidade para atingir o quórum qualificado de 308 votos indispensável para reformas de estatura constitucional. Diante de um Congresso com amplo controle sobre o orçamento público, o resultado do primeiro turno demonstra que a República entra em uma fase na qual o diálogo institucional será necessário para a garantia da estabilidade democrática e da segurança jurídica.

Contexto e Próximos Passos

Segundo turno: A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula está marcada para 25 de outubro de 2026, com campanha oficial iniciando em 10 de outubro.

Posse: O presidente eleito tomará posse em 1º de janeiro de 2027, inaugurando novo ciclo político.

Instalação do Congresso: A nova composição do Senado e da Câmara será instalada em 1º de fevereiro de 2027.

Fontes consultadas: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), G1 Eleições 2026, Agência Brasil — dados oficiais de apuração consolidados em 5 de outubro de 2026, às 5h24.

Atualização: Matéria atualizada em 5 de outubro de 2026 para corrigir e completar a lista de senadores eleitos com dados oficiais do TSE.

Acompanhamento Editorial: A redação do Maçom Tá On monitora continuamente os desdobramentos operacionais, econômicos e judiciais deste caso, mantendo cobertura permanente para seus leitores.

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Pedro Cordeiro

Jornalista

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