Ministério Público Investiga Esquema Bilionário de Lavagem com Linhas de Ônibus

Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), em conjunto com a Polícia Civil, apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na estrutura administrativa e financeira de empresas concessionárias de transporte coletivo por ônibus na capital paulista e cidades vizinhas. De acordo com a representação ministerial, o esquema envolvia a lavagem de ativos ilícitos, blindagem patrimonial e busca por influência política e institucional.

As ordens expedidas pelo Poder Judiciário abrangeram 16 mandados de prisão temporária ou preventiva e 18 de busca e apreensão. As ações concentraram-se na capital, em municípios da Região Metropolitana (como Diadema, São Bernardo do Campo e Santana de Parnaíba) e na Baixada Santista (Santos, Praia Grande e Cubatão). A ofensiva atinge contratos de operação de linhas municipais que atendem centenas de milhares de passageiros diariamente.

Origem da Investigação e Lastro Probatório

O procedimento é um desdobramento das informações recolhidas a partir da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, apreensões de equipamentos eletrônicos e quebras telemáticas alcançaram mensagens trocadas por núcleos estratégicos da facção — notadamente os setores denominados “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”. A análise pericial apontou a existência de planos para influenciar concessões e canalizar verbas do transporte coletivo em articulações políticas.

Documentos Centrais da Apuração Ministerial
“Entre as peças anexadas ao inquérito consta um contrato de locação e reformas imobiliárias entre a concessionária Transwolff e a construtora Neumax, referente à garagem operacional da Zona Sul de São Paulo. O documento conta com as assinaturas de Milton Leite e de Luiz Carlos Efigênio Pacheco (‘Pandora’), que figura como fiador. Relatórios de inteligência financeira apontaram repasses da ordem de R$ 20 milhões da viação para a construtora até agosto de 2024, além de movimentações bancárias em espécie fracionadas sem lastro contábil na bilhetagem.”

Além da frente imobiliária, o material apreendido reuniu mensagens eletrônicas e registros de agendas envolvendo a concessão de apoios eleitorais, discussões sobre assentos no Conselho Municipal de Trânsito e reuniões de alinhamento com a diretoria da SPTrans.

Quadro de Alvos e Medidas Cautelares

A representação do Ministério Público de São Paulo estruturou os investigados em diferentes frentes de atuação no sistema:

Investigado / Entidade Atribuição Apontada nos Autos Medida Judicial
Milton Leite
(Ex-pres. da Câmara Municipal)
Apontado pelo MP-SP como figura de ascendência política e decisória na gestão de interesses da concessionária Transwolff. Mandado judicial expedido.
Levi dos Santos Oliveira
(Ex-presidente da SPTrans)
Investigado por suposta facilitação e blindagem institucional de demandas das empresas perante o órgão gestor. Prisão cumprida.
Júlio Salvador Filho
(Diretor da A2 Transportes)
Citado na apuração como dirigente operacional de viação que atua em dezenas de linhas da Zona Sul. Prisão cumprida.
Claudionor A. Sabino Tomaz
(Sócio da Translider)
Investigado sob suspeita de atuar como operador societário (“laranja”) em empresas do setor. Prisão cumprida.
Carla Muller, André Cassali e Edson de Souza Apontados pelo GAECO por tarefas de intermediação contábil, financeira e elo entre operadores externos e garagens. Prisões cumpridas.

Posicionamentos Oficiais e Continuidade do Serviço

Em pronunciamentos e notas oficiais divulgadas a respeito dos fatos, Milton Leite rechaçou veementemente qualquer irregularidade, afirmando que sua relação com dirigentes de cooperativas e concessionárias sempre se pautou pela legalidade, de forma estritamente institucional e parlamentar, em favor do transporte na Zona Sul, negando exercer sociedade ou controle de fato sobre as empresas.

A defesa da Transwolff e de Luiz Carlos Efigênio Pacheco sustentou perante a imprensa que todos os contratos firmados pela viação são regulares, com documentação auditada, rechaçando qualquer ligação com organizações criminosas.

A SPTrans informou que colabora integralmente com o Ministério Público e com a Polícia Civil no fornecimento de dados e documentos, destacando a criação de comitês fiscalizatórios para acompanhar a operação e assegurar a circulação normal da frota sem prejuízos aos passageiros.

Nota da Redação: As defesas dos demais investigados citados não emitiram notas públicas detalhadas até a conclusão deste texto. O espaço editorial do Jornal Maçom Tá On permanece inteiramente aberto para que seus advogados e representantes manifestem posicionamentos oficiais.

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