Nem Todos Estão Preparados Para a Verdade
O Leite e o Alimento Sólido: A Verdade Revelada a Seu Tempo
"Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora."
— Yeshua HaMashia (João 16:12)
Nem todos estão prontos para conhecer a verdade. Ela não se impõe, mas se revela gradualmente à medida que o iniciado se torna digno de recebê-la. Assim é no Caminho do Espírito, assim é na senda do Conhecimento, e assim também ocorre na Maçonaria.
O Mestre dos mestres compreendia que há realidades tão sublimes que não podem ser transmitidas a mentes ainda presas às limitações do mundo material. Da mesma forma, na Maçonaria, a sabedoria não é dada de uma só vez, mas é desvelada ao longo da jornada iniciática, onde cada grau representa uma etapa de amadurecimento do espírito.
"Irmãos, não vos pude falar como a pessoas espirituais, mas como a pessoas carnais, como a crianças em Cristo. O que vos dei para beber foi leite e não alimento sólido, pois não podíeis recebê-lo, nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais."
— I Coríntios 3:1-3
A Graduação do Conhecimento e a Preparação do Espírito
1. O Progresso Gradual no Conhecimento
Yeshua afirmou que ainda havia muito a ensinar, mas seus discípulos não estavam prontos. De forma análoga, na Maçonaria, os ensinamentos são divididos em graus, onde cada etapa prepara o iniciado para a próxima.
2. A Preparação do Indivíduo
O aprendizado exige um refinamento interior, pois a verdade não se impõe a quem não a deseja ou não pode suportá-la. O maçom deve trabalhar sua moralidade, seu intelecto e sua espiritualidade antes de receber os mistérios velados.
3. A Verdade como um Conceito Dinâmico
Tanto na filosofia cristã quanto na Maçonaria, a verdade não é um ponto fixo, mas um caminho de iluminação gradual. Ela se revela conforme o buscador se torna digno de conhecê-la, como o Sol que ilumina pouco a pouco os olhos de quem sai da escuridão.
4. Guia Interna e Revelação Pessoal
Jesus prometeu que o Espírito Santo guiaria os discípulos à verdade no devido tempo. Na Maçonaria, a razão, a intuição e a experiência iniciática são os guias que conduzem o iniciado na busca pela luz do conhecimento.
A Caverna de Platão e o Processo Iniciático
Platão ilustrou magistralmente esse princípio em sua Alegoria da Caverna. Os prisioneiros, acorrentados desde o nascimento, veem apenas sombras projetadas na parede e as tomam por realidade. Quando um deles é liberto e conduzido ao mundo exterior, a luz do Sol o cega e causa sofrimento, pois seus olhos ainda não estão preparados.
A jornada do iniciado é semelhante: ele sai das trevas da ignorância e, pouco a pouco, se adapta à luz da Verdade. Se for apressado, seu espírito pode se desesperar ou rejeitar a revelação. Por isso, a iniciação é progressiva e criteriosa.
Conclusão: A Chave do Conhecimento Está ao Alcance de Todos?
Na tradição iniciática, a Verdade não é negada, mas velada, para que somente aqueles preparados possam desvendá-la.
Se alguém fosse arrancado da caverna e lançado diretamente à luz, ficaria cego e desejaria retornar às sombras. Da mesma forma, quem recebe um conhecimento elevado sem preparação pode rejeitá-lo, tornando-se mais escravo da escuridão do que antes.
Assim, cabe a cada buscador se perguntar:
- Desejamos realmente conhecer a Verdade, ou preferimos a segurança da ignorância?
- Estamos prontos para o alimento sólido, ou ainda necessitamos do leite da iniciação?
A Verdade não pode ser imposta. Ela precisa ser conquistada.
"Nosce te Ipsum" – Conhece-te a ti mesmo.
M∴M∴ Pedro Cordeiro
Maçom Tá On